sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Sobre etiquetas e plásticos para encapar

Ou memórias afetivas dos tempos de escola.

A arrumação de armários, gavetas, escrivaninhas, deveria ter sido feita no final do ano.
Quando os novos livros escolares de 2017 chegaram, não houve jeito; houve corre-corre para abrir espaço e acomodar tudo aquilo.
Tarefa cumprida, livros, objetos acomodados, outros doados, reciclados, pude então olhar uns poucos itens que eu separei rapidamente e voltar a eles com ternura.

Um rolo de plástico transparente para encapar
Três etiquetas sem uso - bordas e linhas vermelhas
Uma etiqueta artesanal

Segurei firme diante dos olhos a etiqueta artesanal. Esta aqui:


A primeira escola, o primeiro caderno de meu filho. Ele tinha três anos de idade.
A memória, que muitas vezes tem vida própria, conduziu-me direto para a minha escola, minha lista de material, a professora Sônia da primeira série, a cartilha de alfabetização.
Os cadernos de brochura que a mãe cuidadosamente encapava com plástico xadrez e depois colocada a etiqueta de bordas e linhas vermelhas já com meu nome e o da professora escritos.  Para cada ano escolar, uma cor era designada. Xadrez amarelo era o nosso. Mas claro, o vermelho, do segundo ano, parecia-nos muito melhor.
Foi quando passei para o importante ginásio, quinta série, é que soube de um tal papel contact.
Nossa, o livro da amiga era uma perfeição envolto rigorosamente naquela novidade.
O pai achou caro mas mesmo assim comprou.
Pedimos explicação para a vendedora que resumidamente mostrou-nos a parte a ser puxada.
Papai puxou tudo de uma vez e mergulhou o livro ali com tudo. Bah... uma porção de bolhas de ar que foram resolvidas na ponta da agulha e meu livro não ficou como o da amiga. Parecia mais um ralador de queijo.
Aperfeiçoamos a técnica e a melhor delas se valia de uma régua que pressionava e deslizava, mas tudo, claro, feito a quatro mãos.

Já moça e saída dos bancos escolares, conheci certa vez uma pequena papelaria que oferecia um serviço exclusivo: toda a lista de material devidamente encapada e etiquetada com letra bonita. Para os cadernos, tecido seguido de plástico transparente.
Sucesso absoluto.
Desejei fazer aquilo para meus filhos, se um dia os tivesse.

Então quando eu estava com a lista escolar de meu filho em mãos, eu não tinha tempo, talento, habilidade. Entre uma criança pequena e um bebê sendo amamentado, tudo o que consegui foi fazer essa pequena etiqueta, que parece ter compensado todo o resto que eu não fiz no material dele!

As coisas foram acontecendo assim, meio que sem a gente perceber. Num ano encapávamos tudo, no seguinte só alguns e agora me dou conta que há etiquetas sobrando por aqui, ainda há um rolo de plástico transparente e a pequena etiqueta feita com tanto esmero, resiste.

"Mãe, ninguém mais encapa livro...
"Imagina colocar etiqueta, haha que mico"


Às vezes, a maneira da gente se dar conta de que eles crescem, nem é pelo tamanho do pé, calças que encurtam, mas esses pequenos detalhes que transbordam recordações.




9 comentários:

✿ chica disse...

Recordações chegam de surpresa..Uma figurinha, um decalque, um guardanapinho, tudo serve pra voar...

Adorei os livros e o pensamento de "mico" ao encapá-los...

Sempre bom te ler! bjs, chica

Tina Bau Couto disse...

Esse vou vir comentar forrado e decorado
Deu até vontade de postar

Poesia do Bem disse...

Sabe que passei por uma situação parecida ainda em SP. Deixei algumas coisas da Alice lá, e ao chegar achei o primeiro caderno do pré- escolar, livros, a letrinha dela ali no a e i o u, ah que dor senti, o tempo é impiedoso e voa rápido demais, e ali nas marcas dos cadernos a saudade escrita

Cristiane Marino - Mulheres em Círculo® disse...

Verdade Ana Paula, tive uma experiência semelhante ao encontrar um gorro que meu filho usava por volta dos 3 ou 4 anos de idade e que não sei por que resistiu a todas as doações e estava na gaveta de meias dele. Talvez porque tenha herdado o gorro do pai, não sei, mas o fato é que está lá e vai continuar.

Meu filho está concluindo o ensino médio neste ano. Vai prestar engenharia, mas não faço pressão para entrar direto, acho muito cedo entrar na faculdade com 17 anos. É bom estar um pouco mais maduro para enfrentar esse mundo. Tiro pela minha experiência com a medicina. Nenhum dos colegas que entraram com 17 anos conseguiu concluir a faculdade.

Pela foto do blog seu filho já está fazendo cursinho...Desejo força e muita sorte prá ele!
Bjs

Calu B. disse...

Fui lá atrás nas minhas recordações desta época, Ana, e como vc eu fazia com todo capricho o encapamento dos livros e cadernos da minha turma e olha que são quatro,rsrsrs
Levava uma semana ou mais nesta tarefa que só podia ser realizada à noite, quando a casa adormecia.Estranhei muito quando as mais velhas , no segundo grau, não quiseram mais encapar os livros.Nos primeiros anos ainda insisti num mero plástico transparente, depois, nos seguintes me rendi às evidências. Arghf!

Tem novo vôo do nosso Verdinho lá Lena Lima.Ele está todo pimpão:D
Bjkas,
Calu

Bia Hain disse...

Que texto lindo, Ana, me fez lembrar dos tempos de escola! Achei uma fofura a etiqueta, rsrsr!
Lembro do plástico xadrez, lembro da moda dos decorados com bichinhos ou flores... da moda de encapar com papel de embrulho verde (cult!) e finalmente, só com plástico transparente e etiqueta.
Não penso no mico... penso ser um meio de conservar um livro por mais tempo (somos do tempo de passar livros de mão em mão), e isso é in e ecológico, rsrsrs!
Eu encapei cadernos e livros da filha e na época, de uma enteada que eu tive, nunca ninguém reclamou, kkkk! Aliás esse era um momento de festa, chegar com o material todo novo (ou parecendo novo, kkkk) para começar o ano!
Vi lojas que oferecem o serviço, mas confesso que encapar era um prazer e fazia parte do ritual familiar!
Abraços!

Smareis disse...

Lindo texto! Quantas lembranças me veio a mente através do seu texto.
Como tempo voa! Parece que foi ontem eu encapando os cadernos do meu filho. Quantas lembranças boa. Obrigada pelo texto, me fazer reviver momentos bons Ana Paula.
Boa semana!
Beijos!

lenalima disse...

Meu Deus como o tempo passa e não nos damos conta.... dá é sdsss
hoje tudo é mico...kkkkk bjsss

Roselia Bezerra disse...

Boa noite, querida Ana Paula!
Os meus eram bem encapadinhos e minha filha ainda segue a tradição com meus netinhos... o pequenino sobretudo no jardim...
Acho bonito o capricho mas eles não querem mais pagar mico mesmo.... rs...
Bjm muito fraterno