domingo, 2 de junho de 2013

O apontador de lápis

"Eu tenho mais fascinação pelos lápis
Adoro escrever de lápis e imagino um dia ter uma mesa de trabalho com muitos, maços deles e apontador elétrico tb e daqueles de metal antigo também, para meus inúmeros lápis estarem sempre apontadinhos"


Esse foi um comentário deixado pela Tina em um dos meus textos.
Lembrei-me das ponteiras que eu usava para enfeitar meus lápis.





Lembrei-me de uma noite, quando meu pai voltava de seu trabalho, e me trouxe um apontador de manivela, que se prendia na mesa e lembrava as máquinas de moer carne. Ele comprara de um vendedor de quinquilharias que passava de vez em quando em sua barbearia. Foi uma novidade e tanto! Mas que durou pouco, porque o tal apontador era um famigerado, devorava os lápis. Mamãe preferia cascar com faca bem afiada e que ponta boa ficava.

Uns dias depois que recebi o comentário da Tina, deparei-me com um texto, para mim, inusitado. O texto fala de uma "nova" profissão: apontador de lápis.
O moço em questão é profissional na arte de fazer pontas perfeitas. E pensa em abrir novos negócios em outros países. E olha que ganha bem!
Abaixo o texto de Ruy Castro para o jornal Folha de S Paulo em 31/05/2013.




RIO DE JANEIRO - Deu no jornal. David Rees, 40, cartunista americano, vendo-se sem ideias para criticar o governo Obama como fazia com o governo Bush, resolveu abandonar a carreira e abraçar outra. Tornou-se apontador profissional de lápis. Você perguntará: Mas essa profissão existe?
Para quem não se lembra, lápis era um objeto --digo, ferramenta-- que se usava para desenhar ou escrever. Ao fazer isto, a ponta de grafite se gastava, ficava rombuda ou quebrava. Era preciso "apontá-la", desbastar a madeira em volta e limar o grafite até que ele ficasse de novo em ponta. Para isso usava-se um aparelho chamado, não por coincidência, "apontador". Ou uma lâmina tipo canivete ou gilete. Pois, até há pouco, isso era para amadores.
Rees é um profissional. Para ele, apontar um lápis é algo tão sofisticado quanto escrever ou desenhar. Exige destreza, atenção e paciência, além de vasto equipamento: apontadores (de manivela), estiletes, lâminas (de diversos calibres), tornos, tesourinhas e lixas. Na sua mão, uma ponta perfeita pode levar 45 minutos. Não admira que cobre US$ 40 por cada pequeno lote, e não lhe falte serviço. O cliente tem garantia.
Quando se podia jurar que ninguém mais usava lápis, Rees ostenta uma clientela composta de escritores (há os que só se sentem "escrevendo" se escreverem a mão), engenheiros, arquitetos, designers, diretores de arte, artistas gráficos e, claro, milhares de escolares cujas mães insistem em que eles cheguem ao colégio no primeiro dia com os lápis apontadinhos. Morasse no Rio, Rees seria disputado pelos últimos proprietários de botequim que ainda usam lápis atrás da orelha.
Eu já suspeitava da sobrevivência dos lápis --às vezes vejo alguns sobre a mesa do meu amigo Helio de Almeida, diretor de arte, em São Paulo. Mas não sabia que se podia viver de mantê-los vivos.

Querem ver o mocinho em sua mesa de trabalho? Clica aqui para conhecer!
E então, o que achou desta profissão?

28 comentários:

Calu disse...

Li este texto na semana passada e achei o máximo a valorização duma arte que foi sendo esquecida com a vinda das lapiseiras.Sou uma defensora e apreciadora dos lápis, feito vc.
Meus alunos maiores(3º e 4º ciclos)ficavam chateados comigo porque eu exigia o uso do lápis nos cadernos.Canetas só para títulos, subtítulos, grifos, destaques ou anotações extras.Ficava mordida quando me apareciam tarefas borrocadas com aquele liquid paper.
O manuseio do lápis dá mais firmeza no deslize da escrita, ainda mais para a meninada que ainda não domina muito bem os traços das letras.
Até hoje, se vejo um lápis original, compro e uso.
Bem apontado, Ana!
Bjos,
Calu

Alê Lemos disse...

Eu tava crente crente que era noticia falsa, mas adorei a piada dos donos de botequim. Eles ainda usam lápis atras da orelha da esperança de conseguirem fazer conta de cabeça. Lembro do meu pai apontando meus lapis no inicio do ano com gilete, mas isso durou pouco, foi só no inicio da escola, depois o apontador virou lei. Na minha época já tinah a tal da caixinha coletora.

Lola disse...

Achei incrível, nunca imaginei que pudesse existir! Mas acho que adoraria alguém para apontar meus lápis, afinal só uso estilete e às vezes tiro pedaços do dedo! ehehe
beijooss Ana! Saudade tua!PS: Como estas??
http://antonellaesuaboneca.blogspot.com.br/

disse...

Que demais! Sou apaixonada por lápis e essa notícia me deu um certo alívio, creio que ainda escreveremos à mão por uns tempos. Mais papel e menos teclado ;) Beijo Ana.

Gracita disse...

Oi querida
Nunca imaginei que houvesse essa profissão. Nunca vamos deixar de usar lápis apesar de toda a tecnologia. Um não substitui o outro. Pode complementar
Beijos
Gracita

Ives disse...

Olá! Escrever a lápis é mais poético, mais pontilhado de gotas de afeto, de encanto! abraços

CamomilaRosaeAlecrim disse...

Menina! Vc falou uma coisa que me lembrou muito meu pai, que toda noite pegava uma faquinha e ia fazendo a ponta dos lápis meus e de minha irmã! isso há mais de 30 anos! A função de arrumar os lápis era dele e ele adorava e fazia com um capricho incrível! Ainda hoje quando não acho o apontador, vou lá e pego uma faquinha para cascar a ponta.
Adorei saber sobre esta profissão e posso te dizer que aqui em casa todos adoram um lápis e tem pela casa toda, hehe!
Beijos e uma ótima semana!
CamomilaRosa

Moro em um Kinder Ovo disse...

Ainda uso lápis, ou melhor, lapiseiras porque sempre gostei das pontas bem fininhas. E uso lápis para fazer os contornos dos olhos porque "sabecumequeé" a gente precisa depois de um certa idade quando a gente vai perdendo os traços. Aí, por aqui, teria serventia o tal do apontador. É meio caro, não? ... e obrigado pelo carinho.

Carlos Luz disse...

Olá ana... parabéns pelo livro e pelo blog... O blog vou acompanhar...
abçs...

Tina Bau Couto disse...

Descobrir que estou desempregada a toa :)

Sou muito boa na arte de apontar lápis, apontador ruim nem pensar, e não se deve assoprar eles, cegam, sabia?
Se não é verdade eu tenho como verdade.

Já usei muita faquinha e estilete. Apontadores de metal para mim sempre foram os melhores e qd a ponta fica irregular passar ela pelo fio do apontador girando, raspando daqui e dali é como passar algo no esmeril. Ponta de lápis bem feita resulta em bons traços, de letras ou desenhos.

Acho super poética e filosófica a observação de que não é o lápis que risca o papel e sim o papel que risca o lápis, que fica com sua ponta.

E o lápis riscado pouco a pouco, vai diminuindo e lápis miúdo tem muita história para contar, além de ser melhor de conduzir do que os grandões.

Lápis para não usar, para colecionar, para ficar infante no porta-lápis, com ponteiras, como decoração também me agradam muito.

Na minha mesa vai ter desses de não usar e dos bem gastos.
Dos que tem tabuada em seu dorso, dos verdinhos da bic, dos azul marinho e verde musgo da Faber Castel, daqueles que tem pontinhas em pedacinhos dentro de tubinhos que tira-se da frente qd a ponta acaba, põe atrás e novo tubinho com ponta nova surge.
Vários maços dos de colorir, que sempre gastei mais o azul e o vermelho e deve acontecer muito isso de cada gastar mais de uma cor, por gosto ou sei lá o que. Poque não há caixas com mais de uma cor da mesma? Ou não se vende a vulso cada cor?

A parte boa de escrever e desenhar com lápis é poder apagar, também gosto de borrachas. As cheirosas e fofas são as de não usar e as verdinhas compridas ou as brancas miudinhas e eficazes são as melhores.

Adorei a matéria do apontador profissional, adorei meu comentário fazendo parte do post e lembrei de um texto de Paulo Coelho sobre lápis, que gosto muito e vou buscar para deixar aqui.

Tina Bau Couto disse...

"O menino olhava a avó escrevendo uma carta. A certa altura, perguntou:
- Você está escrevendo uma história que aconteceu conosco? E por acaso, é uma história sobre mim?

A avó parou a carta, sorriu, e comentou com o neto:
- Estou escrevendo sobre você, é verdade. Entretanto, mais importante do que as palavras é o lápis que estou usando. Gostaria que você fosse como ele, quando crescesse.

O menino olhou para o lápis, intrigado, e não viu nada de especial.
- Mas ele é igual a todos os lápis que vi em minha vida!
- Tudo depende do modo como você olha as coisas. Há cinco qualidades nele que, se você conseguir mantê-las, será sempre uma pessoa em paz com o mundo.

Primeira qualidade: você pode fazer grandes coisas, mas não deve esquecer nunca que existe uma Mão que guia seus passos. Esta mão nós chamamos de Deus, e Ele deve sempre conduzi-lo em direção à Sua vontade.

Segunda qualidade: de vez em quando eu preciso parar o que estou escrevendo, e usar o apontador. Isso faz com que o lápis sofra um pouco, mas no final, ele está mais afiado. Portanto, saiba suportar algumas dores, porque elas lhe farão ser uma pessoa melhor.

Terceira qualidade: o lápis sempre permite que usemos uma borracha para apagar aquilo que estava errado. Entenda que corrigir uma coisa que fizemos não é necessariamente algo mau, mas algo importante para nos manter no caminho da justiça.

Quarta qualidade: o que realmente importa no lápis não é a madeira ou sua forma exterior, mas o grafite que está dentro. Portanto, sempre cuide daquilo que acontece dentro de você.

Finalmente, a quinta qualidade do lápis: ele sempre deixa uma marca. Da mesma maneira, saiba que tudo que você fizer na vida irá deixar traços, e procure ser consciente de cada ação."

Paulo Coelho

Carla Mãe da Maria Clara disse...

Incrível como a gente vai deixando algumas coisas pra trás, né? Eu uso mais o lápis aqui no trabalho, pra fazer ainda lista de compras, escrever os bilhetinhos da agenda.. lembro tb que preferia dar pra minha mãe fazer a ponta com a faca porque ficava mais grossa a escrita.. enfim....
Tomara que a gente nunca deixe de usar lápis..rss
MInha flor, uma boa semana pra vc... final de semana foi maravilhoso, né? Eu ainda mais tranquila por aquela questão da troca da escola... Obrigada pelo seu retorno lá.. Coloquei humildade no rosto, voltei à escola e ainda disse mesmo com toda a sinceridade... q nunca devia ter tirado minha boneca de lá.. Valeu muito a pena...

Bjssssss!

Clara Lúcia disse...

Também gosto de lápis. Já usei lapiseira, mas os lápis eu gostava mais. Ainda menina, na escola, não tinha tanta condição de comprar apontador um atrás do outro, então eu "fabricava" minha faquinha.
Pegava um tubo de caneta bic, vazio, esquentava no fogo até derreter a ponta e fincava a faquinha do apontador. Esta é parafusada, então eu desparafusava e virava um apontador manual. Os apontadores normais quebravam demais as pontas ou então ficavam estranhas, tinha que rabiscar numa folha até ficar redondinha, e com essa minha faquinha, ficava perfeito.
Não era perigoso porque qdo fazia isso o apontador quase que não tinha mais corte, mas pra apontar era perfeito.

Muito interessante o post. Nunca pensei em ler algo sobre lápis.

Uma ótima semana!
Beijos

Grazi disse...

Quando temos filho pequeno em casa, somos por um tempo, profissionais em apontar lápis!!!Estou sempre dando uma "geral" no penal do pequeno!!!
Bjcas, Grazi

Etienne disse...

Interessante o artigo, não sabia que existia. Ainda encontro todo tipo de borrachinha colorida pra acoplar no lápis! Mas quando se fala em lápis, eu penso no grafite que vai lá dentro - e nas vezes em que eu conseguia fazer uma ponta "perfeitinha"... e o grafite "quebrado" e implicante (rsrs) me fazia começar tudo de novo! Bjs.

Anne Lieri disse...

Bem interessante essa profissão de apontador de lápis!Nunca tinha ouvido falar.Tb acho uma delícia escrever a lápis.bjs e boa semana,

#*Marly Bastos*# disse...

Ana só agora lendo me dei conta da importância de "um apontador de lápis profissional".
Apontadores como objetos são terrores para os pais, pois quando a criança pega gosto pela coisa, o apontador vira um bicho-papão de lápis... Haja lápissssssssss.
Adorei o texto e o assunto que trouxe para o blog, bem inusitado.
bjkas doces e boa semana.
Estou meio devagar com as visitas pq ainda sinto dores ao digitar, mas vou chegando devagarzinho.

#*Marly Bastos*# disse...

Ana só agora lendo me dei conta da importância de "um apontador de lápis profissional".
Apontadores como objetos são terrores para os pais, pois quando a criança pega gosto pela coisa, o apontador vira um bicho-papão de lápis... Haja lápissssssssss.
Adorei o texto e o assunto que trouxe para o blog, bem inusitado.
bjkas doces e boa semana.
Estou meio devagar com as visitas pq ainda sinto dores ao digitar, mas vou chegando devagarzinho.

Smareis disse...

Olá Ana Paula,

Eu também tenho paixão pela escrita a lápis.
Gostei do artigo, bem interessante. Não conhecia essa profissão de apontadores. Uso bastante apontador em lápis de sobrancelhas risosss.
Beijos e ótima semana!


Carolina Lima disse...

Que coisa linda, Ana!
É gratificante saber que em meio a era digital as pessoas ainda valorizam os lápis transformando-o em profissão.
A postagem me fez lembrar um artista que faz esculturas nas ponta dos lápis. Você já viu? O trabalho dele é incrível: http://www.umblogsimples.com/2011/05/dalton-ghetti.html

Beijinhos :*
Carol
www.umblogsimples.com

Rovênia disse...

Boa pescaria. Eu gosto de lápis, de ficar olhando para eles, mas tenho pena de ficar apontando. Mas a coincidência é que na última viagem que fiz comprei uma caixa com 60 lápis dessa mesma marca que o David indica. Sempre que viajo trago caderninhos, borrachas, canetinhas, lápis de cor. Mas, confesso, não gosto de apontar. Sou péssima nisso e 45 minutos... é tempo demais. Haja arte, haja paciência. Para escrever hoje prefiro a tecla que raciocina. Beijos! :)

Roselia Bezerra disse...

Olá, querida
Usei muito o lápis por 40 dias atrás...
Ontem retomei o teclado...
Gosto de escrever à mão também e preciso fazê-lo em alguns momentos quando estou fora da net totalmente... só em momentos...
Uso mais caneta, na verdade... mas lanço mão do amiguinho inesquecível quando necessário...
Sabe de uma coisa, estou aqui na escrivaninha com cartinhas escritas à lápis com meus 8 aninhos... pra imprimir... dar técnica moderna ao meu tesouro...
Ótimo post!!!
Não conhecia a tal profissão...
Bjm de paz e bem

Alê Biet disse...


Que trio mais lindo em um post... Ana, Tina e Rees.
Simplesmente amei!

Beijos!

Blog do Óbvio - Manoel disse...

Ana Paula, não fosse uma reportagem do Ruy Castro, acho que eu nem daria atenção. Pelo gabarito jornalístico dele, esse assunto deve ter alguma importância. Tem algo atrás disso (como diz o caipira, ninguém chuta cachorro morto!). O Ruy Castro apenas deu um (como se diz) "start up" num futuro "modismo". Vamos aguardar mais notícias sobre isso.
De fato é mais "romântico" escrever, desenhar e pintar à lápis. Eu, para não ser diferente da "engenheirada" uso a minha lapiseira (já descorada) pentel com grafite 2B (macio e escuro).
Ana Paula, você conseguiu uma crônica e tanto com isso.
Talvez o seu pai tenha tido uma certa influência nessa sua vocação. Se você analisar bem,o melhor lugar para se bater um bom papo e ouvir ótimas histórias do dia a dia é no barbeiro. Lá tem assuntos em todos os níveis e tudo é analisado e discutido por todos com o maior respeito. Engraçado que tem-se a impressão de que o assunto lá é futebol. Engano de quem imagina isso. Aprende-se tudo e pouco se fala de coisas que podem gerar contendas (como as preferências de futebol). Muitos problemas brasileiros tem suas soluções bem desenhadas lá.
Ana, sua vocação é hereditária e fui eu quem a descobrí (rs).
Beijo

Manoel

Luís Fellipe Alves disse...

Vivendo e descobrindo, né?
Pois é aquela velha história das coisas que vêm perdendo o caráter apreciativo para dar lugar a evolução. O lápis tem a sua história e apontá-lo já foi uma técnica toda rebuscada.
Ele a resgatou!

Adorei o post.

Li disse...

Amei o texto e saber que ainda há quem valoriza esse ítem tão especial. Também amo lápis, nos meus lápis de cor ninguém mexe... São meus!!! Amo escrever com lápis, com ele se escreve e se apaga!!!
Achei o máximo que em tempos tão modernos o profissional apontador de lápis resgatou "a vida" desse material escolar que nos traz tantas lembranças!!!

Beijos!

Saudades!!!

Lívia.

Cristi@ne disse...

Olá Ana Paula, venho do blog Recanto dos Autores e a amiga Anne Lieri te indicou no post, adorei seu cantinho e já fico por aqui rsrs
Tbm por saber que tem um livro publicado, parabéns!! e sucesso!!
Quero poder divulgá-lo no meu novo blog, se permitir, estarei o fazendo ok?
Sou blogueira há 5 anos e adoro este mundo virtual e ainda mais por conhecer pessoas especiais como vc!

Tenho 2 blogs agora:
Infinito da Cris
Livros, Leitura e Cia

Te espero para uma visitinha ;)
Bjinhoss

Adorei o post, tbm gosto mto de lápis e afins... <3

Ana Virgínia disse...

Achei bastante inusitado Ana Paula.
rs

Abraço.

Ana Virgínia