sábado, 15 de julho de 2017

A doçura dos blogs

Não estou em minha casa. Há uma semana que estamos na roça, na fazenda e hoje pela primeira vez, abri a lata de açúcar.
Deixei a água do café borbulhar um pouquinho mais que o necessário, só para demorar no reparo.
Reparei docemente no objeto que, nesta casa da fazenda, serve como pegador, medidor do açúcar.
Metade de uma pequena cabaça.


Fui preenchida pela doçura que os blogs me trazem.
Blogs? Você deve estar estranhando a conexão fazenda-blogs.
Mas é exatamente isso: nas minhas andanças pelos cantinhos virtuais dos blogs, através dessa doce partilha, conheci a moça que depois de assistir a um filme ( Ida ), fez certa manhã, uma chuvinha de açúcar sobre o pão com manteiga; de outro canto, a moça disse não ter paciência para finas chuvinhas de açúcar, afinal é uma ariana com ascendente em áries, e então faz um mergulho da sua bolacha lambuzada de manteiga direto na lata de açúcar. E ainda tem a moça que quando vai à padaria, utiliza um pacotinho e meio de açúcar e fica sem saber o que fazer com a metade do pacotinho que fica. Não quer desperdiçar, então dobra-o cuidadosamente e o recoloca na cestinha com a esperança de que um próximo cliente, vencendo indagações e medo de envenenamento, utilize de seu meio pacotinho, gentilmente deixado ali.
Voltando ao café, titubeei em despejar sobre o líquido fumegante o açúcar acomodado na cabacinha. Peguei colher, me senti segura. Ficou bom.
Beberiquei debruçada na janela da cozinha e o pensamento correndo por entre pastos, plantações, amigos cultivados nos blogs e vontade imensa de escrever.





quarta-feira, 12 de julho de 2017

Jabuticabeira

Saudades, saudades, saudades!
Vontade de interagir e vou fazê-lo, mesmo a passos de tartaruga.
E por falar em passos, estou em Passos, Minas Gerais.
Com internet por aqui!
Que vem a galope, por vezes, muitas vezes empaca, mas hoje, ventos favoráveis.
Deixo então um pouquinho da paisagem da fazenda.


Bastante jabuticabas no pé ensinando paciência.
Precisam ficar pretinhas.






Silêncio restaurador!


Um beijo e promessa minha de visitar os blogs amigos!
Até.




sexta-feira, 9 de junho de 2017

Inauguração

hoje, lua cheia de junho, houve uma grande inauguração
obra monumental
compareci
procurei palanque com primeira-dama chique
homens atrás do grande feitor-governador/prefeito/presidente
aqueles homens sorridentes e cheios de aplausos
procurei nos noticiários
jornais, revistas, tv
nota alguma
notaram coisa nenhuma
nenhuma "influencer digital"
escreveu no seu blog sobre a grande inauguração

uma ponte foi inaugurada


olhem bem, ponham bastante reparo:
afastem os fios da tv a cabo, da telefonia, da eletricidade, da inutilidade
e está lá a grande ponte!
ligação direta com o alto pinheiro

joaninhas, formigas, vespas, passarinhos compareceram 
à grande inauguração
borboleta teve um atraso por conta de um difícil néctar 
vem mais tarde

hoje, lua cheia de junho
dois caminhões de mudança chegaram aos edifícios do entorno
trazendo novos moradores
poxa! eles estão se mudando para perto da grande ponte!
será que eles sabem disso?!

os shoppings da cidade estão e ficarão ainda mais lotados
para as compras do dia dos namorados
ah! certamente eles entregarão os presentes e farão juras de amor
aqui na ponte recém-inaugurada...
aqui não se coloca cadeados de amor
porque cadeados que prendem não combinam com amor

foi obra de difícil execução
muita noite de luar
frio intenso
chuva forte com vento
dias de brisa fresca
sol quente demais 

a grande ponte foi inaugurada!




segunda-feira, 5 de junho de 2017

A oração funciona?

Há uma história, a qual eu gosto muito, que se propõem a responder essa indagação: a oração funciona?
Quero partilhar com vocês. Está no livro "A energia da oração"


Era uma vez um garoto de seis anos de idade que tinha como animal de estimação um ratinho branco. O ratinho não era bem um animal de estimação, era o melhor amigo do garoto. Um dia, o garoto e o ratinho foram brincar no jardim. O ratinho entrou num buraco do chão e não voltou mais. O garoto ficou muito triste. Achou por um instante que não valia mais a pena viver sem o ratinho. Ajoelhou-se, juntou as mãos e orou fervorosamente para que o ratinho voltasse. Rezou de todo o seu coração. Rezou da maneira como via sua mãe fazê-lo, e murmurou para Deus a seguinte oração: "Eu creio em vós, ó Deus. Sei que, se quiserdes, podereis trazer de volta o ratinho".

A criança ficou de joelhos e orou com toda sinceridade por mais de duas horas. Mas o ratinho não voltou. Finalmente muito triste, entrou em casa sem o ratinho.

Durante sua infância, rezava sempre que alguma coisa ruim acontecia. E o que pedia nunca se realizava. Nos anos da escola secundária, não acreditou mais na oração.

O garoto, agora um adolescente, matriculou-se nas aulas de música no colégio católico que frequentava. Um senhor idoso, de voz trêmula e bastante doente, dava as aulas. A primeira coisa que o professor fazia de manhã, antes de começar a aula, era uma oração. Rezava durante uns quinze minutos, o que não agradava muito a nenhum dos alunos. Sua maneira de rezar não era muito interessante nem cativante. Antes de começar, sempre perguntava: "Alguém de vocês tem alguma coisa que quer que eu peça?"Tomava nota daquilo que porventura alguém dissesse e então começava a orar na intenção de cada um.

Muitas vezes pedia coisas muito simples como: "Amanhã vamos a um piquenique, portanto dê-nos bom tempo e não chuva". Para o nosso rapaz, esses quinze minutos de oração antes da aula eram puro aborrecimento. Ele não acreditava em nada. Apesar disso, o professor continuava rezando sinceramente todo dia.

Certa vez, entrou na sala uma garota chorando inconsolavelmente. Disse que fora informada por seus pais que sua mãe estava com um tumor no cérebro. Tinha muito medo de que sua mãe morresse. O professor escutou-a com atenção, levantou-se, olhou pela classe toda e disse:

"Se houver alguém na sala que não queira rezar conosco, pode sair e ficar no corredor. Os demais, vamos rezar pela mãe desta moça. Depois de terminada a nossa oração, pedirei a alguém que vá até o corredor e avise a quem saiu para que volte".

O rapaz pensou em sair da sala, porque não acreditava na oração. Mas alguma coisa o fez ficar em sua carteira e ver o que ia acontecer. O professor pediu que todos inclinassem a cabeça, e começou a orar. Sua oração foi muito curta, mas sua voz era forte. Com a cabeça inclinada, de mãos postas e olhos fechados, disse: "Muito obrigado, Senhor, por curares a mãe desta moça". Foi só o que disse.

Duas semanas depois, a garota contou à turma que sua mãe estava recuperada. Uma tomografia do cérebro revelara que não havia mais vestígio do tumor.

Este milagre restaurou a confiança do rapaz na capacidade de cura da oração, confiança esta que havia abandonado há bastante tempo. Começou, então, a rezar por seu professor de música, que estava outra vez muito mal. Rezou com sinceridade. Rezou de todo o coração pela saúde do professor de música, mas um ano depois, o professor morreu.

Há muitas reflexões que essa historinha pode nos trazer...

A oração é uma ponte!


quarta-feira, 31 de maio de 2017

Cheiro de perfume

É sabido que cheiros despertam memórias. Memórias recentes e mesmo aquelas que, de tão ocultas em gavetas esquecidas, já nem nos lembramos.
Foi assim comigo. Por esses dias, tive uma memória acordada por um cheiro.
Não um cheiro que me chegou pelas narinas. Eu não o senti, eu o li.

A leitura era de uma pequena entrevista. Uma antropóloga que fez um trabalho em uma cadeia feminina ( na verdade, numa instituição sócio-educativa ) com meninas de doze a vinte e um anos, estando a maioria com quinze anos.

O trecho:

"É assim: quando eu chegava na cadeia, tinha de ficar no pavilhão enquanto esperava as meninas serem liberadas. Então o pedido era: "Dona Débora, deixa eu cheirar a senhora?".
Dentro da estratificação social, da desigualdade de renda, nós nunca nos encontraríamos. Nenhuma daquelas meninas seria cheirada ou beijada por mim fora dali, nem elas beijariam ou cheirariam a sinhazinha aqui. Então eu dizia: "Você quer cheirar? Cheira."  *

De alguma forma fui tocada por esse cheiro que li. Há muito o que conversarmos sobre isso, mas será  adiante.

Hoje não sinto vontade de falar dessa ausência de perfume que faz surgir aquele cheiro que incomoda...
Falarei das minhas lembranças em frascos.

Eu não sou de perfume. Atualmente tenho apenas um frasco e as vezes peço umas borrifadas de uma fragrância da filha!
Sabonete, desodorante, creme do cabelo, creme do corpo, muitas vezes me bastam.

A gavetinha que se abriu no mais profundo de mim, traz o carro da Valdete, uma variant azul claro estacionando na porta de casa. Ali ela nos entregava o pedido da avon que mamãe havia feito. O pagamento seria feito alguns dias depois, na casa da própria Valdete e eu adorava ir lá!

Um pequeno frasco com a tampa em forma de maçã: é tudo o que me lembro. Do aroma, nada. Acho que esse foi um dos primeiros perfumes que usei.
Quando eu acompanhava mamãe até a casa da Valdete para o pagamento, torcia para que o convite para entrar e tomar um café fosse aceito.

Feito! Enquanto o café com conversa acontecia lá na cozinha, Valdete me permitia ficar sentada de frente à penteadeira dela. "Pode olhar, pegar, abrir e passar um perfume se quiser".

Era uma  grande  penteadeira, Três espelhos e toda tomada por perfumes do catálogo que ela vendia. Também haviam os talcos. Os simples, os em lata e aqueles com uma linda esponja redonda.

Lembro-me da primeira loja do O Boticário que entrei e saí de lá com um Acqua Fresca. Cheiro que marcou muita gente!
Conheci e ousei usar o perfume masculino Stylleto e teve também a "febre"das meninas da escola com o Giovana Baby.

Agora tão diverso é esse mundo dos perfumes. Tem até marketing olfativo ( você já deve ter percebido o cheiro característico de determinadas lojas e tem gente que trabalha com isso ).

Mas tem mesmo gente que é perfumada na alma! Deve ser de sol, de olhar a lua e as estrelas. Que aprecia a chuva e sabe atravessar noites escuras.

Deixo uma fotografia bem perfumada que fiz dias atrás!
E você, como é sua relação com o perfume?
Deixe um cheiro nos comentários!



Lavandas

* Debora Diniz para Bons Fluidos edição 219

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Jardins que falam

Há tempos que queríamos fazer esse passeio!
Conhecer o parque Amantikir que fica em Campos do Jordão.
Foi numa segunda-feira que as condições ficaram favoráveis e pudemos apreciar lindos jardins, bela natureza!
Um pouquinho em fotos para vocês!


quinta-feira, 18 de maio de 2017

Inocência

A mulher estava no portão. No seu colo, uma alegre menininha.
O homem saiu lentamente, sentado na moto ainda desligada. Desceu, fez com seu polegar um pequeno sinal da cruz na testa da mulher. Beijou-a depois. Repetiu o gesto na testa da criança, o pequeno sinal, o beijo por fim.
Sentado novamente na moto, disse com voz alta e doce: "um bom dia minha sogra".
Mulher e filha acenaram e sorriram até a moto deixar de ser vista no final da rua.

Eu agradeci silenciosamente por poder apreciar este pequeno ritual imenso de amor e inocência.
Nutriu-me presenciar tudo aquilo enquanto passeava com o cachorro na fria manhã.

Inocência...
Ah! Como eu achava ruim, quando criança, ouvir dos adultos a inocência das crianças. Soava-me como um sinônimo de coisa boba.
Que boba era eu!

Falo por mim, mas sinto que é um desejo coletivo, um desejo de muitas pessoas vivermos tempos de inocência.
Quanto cansaço, quanta exaustão o tempo todo termos que olhar para algo e buscar o que está por trás daquilo. Nada mais é o que parece ser. Tudo com uma segunda intenção. Sempre esperando por algo que ainda está por vir. E claro, que este algo, é sempre pior.

A cena que apreciei, era toda inocência. Não era para ser vista. Era um ritual intimista.
O acaso me pôs ali do outro lado da rua, um pouco distante para presenciar a inocência tão escassa e que tanta falta nos faz.